Última hora: Ângela Pereira, a jovem doente que estava internada

Faleceu na manhã do dia de Natal Ângela Pereira, a jovem de 23 anos que se encontrava internada no Instituto Português de Oncologia do Porto. Natural de Afife, em Viana do Castelo, Ângela enfrentava há vários anos uma dura batalha contra um linfoma e, mais recentemente, contra uma grave infeção fúngica nos pulmões. O agravamento súbito do seu estado clínico, provocado por um quadro de pneumonia, acabou por ser fatal, levando a jovem a morrer junto da família, que permaneceu ao seu lado até ao último momento.
Nos dias que antecederam o Natal, Ângela apresentou febre elevada, o que inviabilizou a realização de exames essenciais para dar continuidade aos tratamentos que estavam a ser equacionados. Debilitada e com poucas reservas físicas, a jovem viu o seu estado agravar-se rapidamente. Os familiares foram informados de que as hipóteses de sobrevivência eram cada vez mais reduzidas, tendo conseguido despedir-se, apesar de, nas últimas horas, Ângela já não conseguir comunicar. A noite de Natal foi passada no hospital, num cenário marcado pela dor e pela esperança até ao desfecho inevitável.
Diagnosticada com cancro aos 20 anos, Ângela Pereira tornou-se um símbolo de coragem e resiliência. Nos últimos tempos, a sua história mobilizou milhares de pessoas nas redes sociais, onde apelava à partilha e à procura de soluções médicas que lhe permitissem continuar a lutar. Uma amiga chegou mesmo a deslocar-se a Manchester para contactar especialistas em aspergilose invasiva, tendo sido estabelecidos contactos com o National Aspergillosis Centre. Alguns resultados clínicos chegaram a trazer esperança, com sinais de regressão do fungo, mas a pneumonia acabou por travar essa possibilidade de recuperação.
A infeção fúngica de que sofria, conhecida como aspergilose invasiva, é particularmente perigosa em doentes imunodeprimidos, como os oncológicos, apresentando taxas de mortalidade elevadas. Ângela já tinha sido submetida a cirurgia pulmonar, mas o seu organismo não resistiu às sucessivas complicações. Poucos dias antes de morrer, a jovem confessava o desejo de “ficar por cá para cumprir mais sonhos”. A sua morte deixa o país em luto e reacende o debate sobre a necessidade de respostas mais rápidas e eficazes para doentes em situações clínicas extremamente raras e graves.







