Ministério Público admite que Sócrates foi alvo de “assassinato”

Alegações no caso Operação Marquês colocam foco na comunicação social e na alegada campanha mediática
José Sócrates terá sido alvo de um “assassinato de caráter” durante a investigação da Operação Marquês, segundo reconheceu o Ministério Público em alegações finais num processo paralelo em que o antigo governante pede uma indemnização ao Estado.
De acordo com o procurador António Beirão, que representou o Estado no julgamento, “ninguém tem dúvida” de que Sócrates foi alvo de uma forte campanha mediática que teve impacto na sua imagem pública. No entanto, o magistrado sublinhou que não existem provas de que qualquer fuga de informação tenha partido diretamente da investigação judicial.
O Ministério Público defendeu ainda que, apesar da dimensão mediática do caso, o Estado português não pode ser responsabilizado pela forma como a comunicação social noticiou os desenvolvimentos do processo. “O Estado não controla os media nem pode controlar”, referiu o procurador, afastando assim qualquer responsabilidade institucional.
Na mesma linha, a acusação considerou que a alegada campanha mediática terá contribuído para a degradação da reputação do antigo primeiro-ministro, mas insistiu que tal não constitui fundamento legal para imputar responsabilidade ao Estado português.
José Sócrates exige uma indemnização de 205 mil euros, no âmbito deste processo, continuando a contestar o impacto público e mediático da investigação que o colocou no centro de um dos casos judiciais mais mediáticos da política portuguesa.







