Pai das crianças abandonadas fala pela primeira veze revela “segredo”

Mãe francesa terá abandonado três filhos durante fuga para Portugal e menores foram encontrados sozinhos numa zona de mato
O caso que está a chocar Portugal e França ganhou novos contornos dramáticos. As duas crianças francesas encontradas abandonadas numa zona de mato entre Alcácer do Sal e a Comporta terão sido deixadas pelos próprios pais no âmbito de uma alegada fuga familiar. Agora, sabe-se que foi o filho mais velho da mulher, um jovem de 16 anos, quem terá denunciado toda a situação às autoridades.
Barthelemy e Zacharie, de apenas 5 e 3 anos, foram encontrados sozinhos na passada quarta-feira, depois de terem sido deixados numa área florestal isolada. Segundo relatos, os progenitores terão recorrido a um alegado “jogo” para enganar os menores. “Disseram às crianças para ir à procura de um brinquedo”, contou Alexandre Quintas, o homem que encontrou os irmãos e prestou o primeiro auxílio no local.
A família francesa tinha entrado em Portugal no passado dia 11 de maio, através da fronteira de Miranda do Corvo. No entanto, as revelações feitas no programa “Dois às 10”, da TVI, trouxeram à tona a existência de um terceiro filho, de 16 anos, que também seguia com o casal durante a viagem. Segundo Suzana Garcia, o adolescente terá recusado continuar com a mãe e o padrasto, acabando por ser abandonado ainda antes da entrada em território português.
De acordo com a comentadora, foi precisamente este jovem quem revelou ao pai o que se estava a passar e quem terá impulsionado a denúncia às autoridades. “É este jovem que diz o que aconteceu ao pai e que vai apresentar queixa à polícia”, explicou Suzana Garcia, apontando para um cenário de possível rapto parental e abandono de menores.
O caso está agora a ser acompanhado pelas autoridades portuguesas e francesas, enquanto vários detalhes continuam a surgir. O jornal francês Le Parisien avançou que já existia um alerta relacionado com o desaparecimento da mulher e dos filhos sem autorização do pai biológico. As circunstâncias em torno da fuga, do abandono das crianças e do eventual envolvimento criminal dos adultos continuam sob investigação, num caso que está a gerar enorme indignação pública.
Pai das crianças abandonadas em Alcácer do Sal fala pela primeira vez: “Os meus filhos vão precisar de se reconstruir”
Progenitor dos dois irmãos franceses pede respeito pela privacidade das crianças e aguarda autorização para os reencontrar em Portugal.
O pai das duas crianças francesas abandonadas em Alcácer do Sal quebrou finalmente o silêncio e falou publicamente sobre o caso que tem chocado Portugal e França. Em declarações ao canal francês Ici Alsace TV, o progenitor admitiu viver dias de profunda dor e ansiedade enquanto espera autorização das autoridades para recuperar os filhos.
“É apenas uma questão de dias até recuperar os meus filhos”, afirmou emocionado, garantindo que pensa nas crianças “a cada segundo” desde que foi alertado pela polícia francesa para o desaparecimento dos menores. Segundo o Ministério Público de Colmar, o pai tinha apenas direito a visitas supervisionadas desde o divórcio com Marine Rousseau, há cerca de dois anos, situação que terá contestado judicialmente.
O homem explicou ainda que aguarda uma decisão oficial das autoridades para poder deslocar-se a Portugal e reencontrar os filhos. “Dia e noite, tenho o telefone ao meu lado”, confessou, demonstrando a enorme expectativa em torno do processo que envolve atualmente as autoridades portuguesas e francesas.
Naquela que é a sua primeira reação pública desde que o caso se tornou conhecido, o pai deixou também um forte apelo à contenção mediática e ao respeito pela privacidade das crianças. “Os meus filhos vão precisar de se reconstruir, tal como eu. Não vão precisar que lhes recordem constantemente esta tragédia”, afirmou, sublinhando a necessidade de proteger emocionalmente os menores após o trauma vivido.
Apesar de considerar os acontecimentos “graves e profundamente chocantes”, o pai recusou alimentar discursos de ódio dirigidos à mãe das crianças. “Recuso acrescentar palavras de ódio, insultos ou qualificativos destinados a desumanizar uma pessoa”, declarou. Recorde-se que Marine Rousseau e Marc Ballabriga encontram-se em prisão preventiva, indiciados pelos crimes de exposição e abandono e ofensa à integridade física agravada.







